E EIS QUE, TENDO DEUS DESCANSADO NO SÉTIMO DIA, OS POETAS CONTINUARAM A OBRA DO CRIADOR.
(MÁRIO QUINTANA)

sábado, 28 de março de 2009

O MEU PECADO


O MEU PECADO


Eu cometi um pecado,

Que não posso revelar.

Por ti ter-me apaixonado

A ninguém posso contar.


A ninguém posso contar.

É um segredo só meu

Que passará a ser teu

Depois q’eu to revelar.


Depois q’eu to revelar

Tu não contas a ninguém?

É que te quero, meu bem,

Mesmo sem poder te amar.


Mas por não poder te amar

Pareço estar no degredo.

Eu vou amar-te em segredo

Sem de ti nada esperar.


Nesta forma de encantar

Maispa

Luz


17/02/09

terça-feira, 24 de março de 2009

E DEPOIS DO AMOR

E DEPOIS DO AMOR

De mãos dadas
Nos olhamos em silêncio
E sem palavras
Dissemos tudo

Dedos entrelaçados

Bocas unidas

Corpos frementes

Viajámos no espaço


À nossa volta

A quietude da noite


Repousamos agora

Lado a lado
Exaustos
Tranquilos

Ainda unidos.

Sempre unidos.

Maispa
Luz

sábado, 21 de março de 2009

DIA DA POESIA EM PORTUGAL

No passado dia 14 celebrou-se no Brasil o Dia da Poesia, que aqui homenageamos no dia 15, com um belo poema de Carmo Vasconcelos.

Hoje, dia 21 de Março, comemora-se o Dia da Poesia em Portugal.

Como disse no post anterior, o Dia Mundial da Poesia foi instituído pela UNESCO com o objectivo de defender a diversidade linguística.

Hoje trago-vos um poema do grande poeta brasileiro Luiz-Poeta ,que homenageia a língua portuguesa e os escritores portugueses.



LUSOFONIA

Luiz Poeta

Na atualidade, a Língua Portuguesa,
Mais que a ousadia dos desbravadores,
Exprime e ostenta, em sua natureza,
A sublimidade dos seus escritores.

Brasileiro-lusa, Luso-brasileira,
A voz portuguesa é uma só nação,
Cujo som ecoa pela Terra inteira,
Como o batimento de um só coração.

Há, nessa fusão, bem mais que um idioma;
Um fundir de almas que emociona
Quem lê ou escuta essa nossa voz...

E é a emoção da alma lusitana
Que faz do Brasil, a pátria americana,
Da lusofonia viva em todos nós.


Luiz Poeta




Luiz Gilberto de Barros, artisticamente conhecido como Luiz Poeta, é intérprete, violonista, guitarrista, poeta, compositor, artista plástico e professor de Língua Portuguesa, Literatura e Produção de Textos, leccionando actualmente no Município do Rio de Janeiro, onde reside.

A sua obra artística é eclética e engloba mais de 10.000 trabalhos (músicas, poesias, ensaios, contos, novelas e crónicas).

É Director Cultural da Associação Cultural Encontros Musicais, sendo responsável directo pela sua criação, produção e correcção de textos.

domingo, 15 de março de 2009

DIA MUNDIAL DA POESIA NO BRASIL

O Dia Mundial da Poesia foi instituído pela UNESCO com o objectivo de defender a diversidade linguística.
Em Portugal festeja-se no dia 21 de Março; no Brasil, a celebração é no dia 14 do mesmo mês, em homenagem ao nascimento do grande poeta brasileiro Castro Alves – Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871.

Ontem, dia 14 de Março, não me foi possível publicar aqui nenhum post, como era meu desejo, para homenagear a Poesia e seus representantes brasileiros.
Faço-o hoje, trazendo-vos um poema da “nossa” Carmo Vasconcelos, que com ele homenageia os poetas brasileiros.


MINHA HOMENAGEM AOS IRMÃOS POETAS BRASILEIROS NO DIA DA POESIA - 14 de Março
Carminho Vasconcelos



AO POETA…
Carmo Vasconcelos

Deve amar-se sem pensar
em abarcar seu olhar
onde mora a imensidão…
Sem pretender decifrar
se ele nos ama ou não

Pois nem ele próprio sabe
se tem espaço, se em si cabe
único, um amor profundo…
Em seu peito alberga o mundo
paixão feita inquietação

Prosa, rima, abstracção
ferve-lhe a alma em cachão
gelam-lhe as mãos longos frios…
Nas ânsias do coração
corre-lhe o sangue em rios

E corre sem direcção
sem rumo, na indecisão
de prender-se a uma só voz…
Poeta é rio sem foz
sem margens sua ilusão

Poeta só pode amar-se
sem pretender sufocar-se
o ar que em versos respira…
Amando as suas ausências
que prós longes o atira

Afagando o seu regresso
sem nunca dizer-lhe “peço”
mas seu voltar festejando…
Que ele ao voltar está amando
pese o amor inconfesso

Nutrindo-o de imaginário
dando-lhe a beber o vário
mesa e cama encantamento…
Saciando-o de eternidade
na loucura de um momento

Só do hoje lhe servir
que ele não degusta o porvir
nem os sabores de amanhã…
Poeta sorve a maçã
do agora… pronta a cair

Deixem que as musas o amem
das alturas não o chamem
que as pedras do chão lhe doem…
Do sonho não o acordem
dêem-lhe penas que voem!

***
Lisboa/Portugal

(In 2ª Antologia do Grupo Ecos da Poesia ano 2006)

Carmo Vasconcelos


terça-feira, 10 de março de 2009

AS PALAVRAS

AS PALAVRAS
São como um cristal,
as palavras.

Algumas, um punhal,
um incêndio.

Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.

Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.

Tecidas são de luz
e são a noite.

E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade


EUGÉNIO DE ANDRADE
Pseudônimo de José Fontinhas Rato.
Poeta português nascido na freguesia de Póvoa de Atalaia (Fundão) em 19 de Janeiro de 1923.
Faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto, após uma doença neurológica prolongada.

terça-feira, 3 de março de 2009

PRECE...MAS QUE EU MORRA EM PORTUGAL!

(CONVENTO DE CABANAS)

PRECE...MAS QUE EU MORRA EM PORTUGAL!

Se quiser, comece por ligar o vídeo, e acompanhe Amália Rodrigues.

PRECE...MAS QUE EU MORRA EM PORTUGAL!

Pedro Homem de Melo

Talvez que eu morra na praia
Cercado em pérfido banho
Por toda a espuma da praia
Como um pastor que desmaia
No meio do seu rebanho.

Talvez que eu morra na rua
E dê por mim de repente
Em noite fria e sem luar
Irmão das pedras da rua
Pisadas por toda a gente.

Talvez que eu morra entre grades
No meio de uma prisão
Que o mundo além das grades
Venha esquecer as saudades
Que roem meu coração.

Talvez que eu morra no leito
Onde a morte é natural
As mãos em cruz sobre o peito
Das mãos de Deus tudo aceito
Mas que eu morra em Portugal.


Pedro Homem de Melo


Porto, 6 de Setembro de 1904 — Porto, 5 de Março de 1984

Poeta, professor e folclorista português, Pedro Homem de Melo fez de Afife (Viana do Castelo) terra da sua adopção. Ali viveu durante anos num local paradisíaco, no Convento de Cabanas, junto ao rio com o mesmo nome, onde escreveu parte da sua obra, "cantando" os costumes e as tradições de Afife e da Serra de Arga.

Prece - Amália Rodrigues