E EIS QUE, TENDO DEUS DESCANSADO NO SÉTIMO DIA, OS POETAS CONTINUARAM A OBRA DO CRIADOR.
(MÁRIO QUINTANA)

terça-feira, 10 de março de 2009

AS PALAVRAS

AS PALAVRAS
São como um cristal,
as palavras.

Algumas, um punhal,
um incêndio.

Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.

Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.

Tecidas são de luz
e são a noite.

E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

Eugénio de Andrade


EUGÉNIO DE ANDRADE
Pseudônimo de José Fontinhas Rato.
Poeta português nascido na freguesia de Póvoa de Atalaia (Fundão) em 19 de Janeiro de 1923.
Faleceu a 13 de Junho de 2005, no Porto, após uma doença neurológica prolongada.

18 comentários:

águia_livre disse...

Eugénio de Andrade, um grande poeta

Um bom dia, uma boa semana

Seja feliz
.

Daniel Costa disse...

Mriazita

Nunca tinha tomado contacto com este, magnífico poema de Eugénio de Andrade, de facto tudo que o nos deixou é de grade quilate. Depois ler reli, em jeito de trautear.
Até nesse aspecto, me pareceu com sonoridade.
Boa selecção! Sensibilidade apurada!

Outra coisa abriste um novo blogue só para convidados. Gostaria de ser um deles, consoante o fim, evidentemente!
Beijinho
Daniel

Paula Raposo disse...

Um dos muitos poemas belíssimos de um Mestre!! As palavras sugerem e ferem, muitas vezes. Muitos beijos.

Mariazita disse...

Meu caro Daniel
Vou abrir uma excepção e responder-te aqui porque a informação fica para quem, eventualmente, sinta curiosidade em relação ao assunto.

Presumo que te referes ao blog "Histórias de Encantar" - o outro, "A minha colecção de selos", como o nome indica, é um espaço onde estou colocando os selinhos que, gentilmente, me têm oferecido, e que será aberto ao público quando estiver organizado.

"Histórias de Encantar" está em construção. Ainda estou em dúvida se o abrirei ao público em geral, se só a convidados. Mas mesmo que opte por esta última modalidade, tu terás acesso, EVIDENTEMENTE!
Também como o nome indica, ali serão publicadas histórias que tenho vindo a "coleccionar" porque achei interessantes, e quero patilhar com os queridos visitantes.
Estou a preparar tudo para ver se consigo iniciá-lo em Abril.

A prropósito de dizeres que não tinhas tomado contacto com este poema de Eugénio de Andrade, quero esclarecer o seguinte:

Tenho procurado (e continuarei a proceder assim) publicar aqui autores menos conhecidos ou mesmo desconhecidos do público; em relação a poetas (masculinos/femininos) sobejamente conhecidos, procurarei publicar as obras que me parecerem menos conhecidas.

ESPERO TER A VOSSA APROVAÇÃO QUANTO A ESTES INTENTOS.

MUITO OBRIGADA

Beijinhos
Mariazita

In Cucina disse...

Sem dúvida alguma estou aumentando o meu conhecimento sobre poetas portugueses!

É muito agradável e enrriquecedor visitar o teu espaço!

Beijos brasileiros, Teresa

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá, grande poema...Espectacular....
Beijos

Ana Martins disse...

Querida amiga,
as palavras definem o amor, o ódio, a tristeza, alegria e até a magia. Podem ferir Simplesmente ferir como punhais ou soarem leves, soltas, banais...
As palavras definem a essencia da vida e tudo o mais!!!!

Beijinhos,
Ana Martins

Vieira Calado disse...

Passei para ler

e

deixar beijoca.

FERNANDA & POEMAS disse...

QUERIDA MARIAZINHA, ADOREI O POEMA ... AMIGA PARECE MENTIRA MAS JÁ NÃO ME LEMBRAVA DELE... SUBLIMES PALAVRAS... UM GRANDE ABRAÇO DE CARINHO E TERNURA,
FERNANDINHA

~*Rebeca e Jota Cê *~ disse...

Quem posta Eugénio de Andrade, não erra.

Beijo grande, Marizita

-

o que me vier à real gana disse...

Assim, juntas na perfeição, escutamo-las nós... com prazer e muito sentir!

UMA PAGINA PARA DOIS disse...

Assim como o oceano só é belo com o luar
Assim como a canção só tem razão se cantar
Assim como uma nuvem só acontece se chover
Assim como o poeta só é grande se sofrer
Assim como viver sem ter amor não é viver

(Vinícius De Moraes/tom Jobim)

Desejo a você um resto de semana maravilhoso
Abraços. Eduardo Poisl

Maria João disse...

Mariazita

É de certo modo curioso, que " As palavras" e " o tempo" sejam dois dos aspectos fundamentais na poesia de Eugénio de Andrade. Um poeta magnífico que enriqueceu a nossa literatura e continua a preencher a alma de quem o lê e o aprecia.
As palavras são o nosso ponto de encontro, a linguagem que nos aproxima sempre em primeiro lugar, mesmo que depois nos afaste. É através das palavras que preparamos o caminho para depois nos revelarmos na essência do que somos e na nossa natureza.
Eugénio de Andrade utilizou as palavras no que elas possuem de magia e musicalidade, numa dimensão tão profunda, muito para além dos significados e que é imbuída de alma e emoção... perdida e achada no tempo e no ciclo de vida.

Uma excelente escolha... mais uma vez!

Um beijinho

SAM disse...

Maravilha! Belíssimo poema. Amei reler este poema, amiga. Obrigada.


Tem lá no Sam uns selinhos para as amigas...



Beijão!

Fenix disse...

Muito bonito!
Sempre oportuna a publicação e divulgação da obra literária, em especial a menos conhecida, dos nossos mestres. Faz-nos sentir orgulhosos!
Também eu penso vir a fazer isso. Aliás, já comecei, criando um pequeno espaço de texto "Homenagem A", no meu blogue principal. A minha ideia é vir a criar um blogue só para isso, quando tiver mais tempo.

Beijinhos e um bom dia!
São

O Profeta disse...

Para lá desta janela sincera
Mora a luz radiosa, inconstante
Esta Lira liberta uma breve melodia
Que a brisa carrega adiante

Passos amedrontados
Olhos abertos sem vida, sem fervor
Sons mais que mil e muitos
Máscara da ironia de Deus superior

Bom fim de semana


Mágico beijo

o que me vier à real gana disse...

Olá, boa noite!

Bem, esperava encontar postezinho novo... mesmo assim, como vale sempre a pena ler o que deve ser lido, fiz bem em vir!

Bjs, pr'á menina e pr´'a senhora lindas cá da casa.

Pelos caminhos da vida. disse...

Tem selinho la pra vc.

Otimo domingo.

beijooo.