E EIS QUE, TENDO DEUS DESCANSADO NO SÉTIMO DIA, OS POETAS CONTINUARAM A OBRA DO CRIADOR.
(MÁRIO QUINTANA)

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

CICLO DE POESIA ERÓTICO/SATÍRICA (I)

SEGUNDA
(Poema erótico)
Quando foi que demorei os olhos
sobre os seios nascendo debaixo das blusas,
das raparigas que vinham, à tarde, brincar comigo?...
... Como nasci poeta,
devia ter sido muito antes que as mães se apercebessem disso
e fizessem mais largas as blusas para as suas meninas.
Quando, não sei ao certo.

Mas a história dos peitos, debaixo das blusas,
foi um grande mistério.
Tão grande
que eu corria até ao cansaço.
E jogava pedradas a coisas impossíveis de tocar,
como sejam os pássaros quando passam voando.
E desafiava,
sem razão aparente,
rapazes muito mais velhos e fortes!
E uma vez,
de cima de um telhado,
joguei uma pedrada tão certeira,
que levou o chapéu do senhor administrador!
Em toda a vila,
se falou, logo, num caso de política;
o senhor administrador
mandou vir, da cidade, uma pistola,
que mostrava, nos cafés, a quem a queria ver;
e os do partido contrário,
deixaram crescer o musgo nos telhados
com medo daquela raiva de tiros para o céu...

Tal era o mistério dos seios nascendo debaixo das blusas!

Manuel da Fonseca


Manuel Lopes Fonseca, comummente conhecido como Manuel da Fonseca[1] (Santiago do Cacém, 15 de Outubro de 1911 — 11 de Março de 1993) foi um escritor (poeta, contista, romancista e cronista) português.
Membro do Partido Comunista Português (PCP), Manuel da Fonseca fez parte do grupo do Novo Cancioneiro e é considerado por muitos como um dos melhores escritores do neo-realismo português. Nas suas obras, carregadas de intervenção social e política, relata como poucos a vida dura do Alentejo e dos alentejanos.
Deixou vasta obra poética e romances de ficção.
Era presidente da Sociedade Portuguesa de Escritores quando esta atribuiu o Grande Prémio da Novelística a José Luandino Vieira pela sua obra Luuanda, o que levou ao encerramento desta instituição.
Em sua homenagem, a escola secundária de Santiago do Cacém, chama-se "Escola Secundária Manuel da Fonseca".

16 comentários:

Maria Emília disse...

Bem interessante, Maziazita, estes ciclo promete.
Quanto a fazer uma postagem sobre a razão porque decidiu fazer um blog, não tem prazo marcado, só sugeri que fosse por agora para sairem todas juntas.
Um beijinho,
Maria Emília

Desnuda disse...

Vixiiiiiiiiiiiiii! que delícia! Vou adorar este ciclo. A apresentação escolhida foi divina! E assim, vou aprendendo sempre um tanto quando aqui venho, ou em um dos seus blogs.


Beijos, Mariazita!

Sonhadora disse...

Mariazita

vai ser um ciclo muito interessante, não vou perder.

beijinhos
Sonhadora

RENATA MARIA PARREIRA CORDEIRO disse...

Uau, ciclo de poesia erótico/ satírica! Amo! Vou amar vir aqui. Sempre amei, vou continuar amando****************************


*Tua caminhada ainda não terminou....
A realidade te acolhe
dizendo que pela frente
o horizonte da vida necessita
de tuas palavras
e do teu silêncio.

Se amanhã sentires saudades,
lembra-te da fantasia e
sonha com tua próxima vitória.
Vitória que todas as armas do mundo
jamais conseguirão obter,
porque é uma vitória que surge da paz
e não do ressentimento.

É certo que irás encontrar situações
tempestuosas novamente,
mas haverá de ver sempre
o lado bom da chuva que cai
e não a faceta do raio que destrói.

Charles Chapin*

Não vim antes, porque dormi até mais tarde. Que bom!

Beijos, minha doce Mariazita. Tenho até medo de me encostar em você e ficar doce demais! Eh depois, já viu, né?
Bom Dia de Hoje*

xistosa - (josé torres) disse...

Dele recordo, Cerromaior.
Penso que é dele.
Gostei do poema e vou tentar acompanhar.

Cumprimentos.

Pérola disse...

Estou com a Desnuda rsrsrsr.
Boa tarde minha linda.
Estou demorando um pouquinho para chegar mas eu chego tá.
Seu blog é uma delícia pode apostar nisso.
Um beijo grande e um lindo dia amiga.
Fica com Deus.

poetaeusou . . . disse...

*
manuel da fonseca
um puro anti-fascista !
,
Acorda, amigo,
liberta-te dessa paz podre de milagre
que existe
apenas na tua imaginação.
Abre os olhos e olha,
abre os braços e luta!
Amigo,
antes da morte vir
nasce de vez para a vida.
,
in - Manuel da Fonseca
,
Conchinhas,
,
*

Irene Moreira disse...

Mariazita

Maravilha , que bom - vamos curtir muito esse Ciclo e começou bem com Manoel da Fonseca.

Beijos

Pelos caminhos da vida. disse...

"Ao nascer de mais um dia, tudo é lindo e maravilhoso. O caminho que se prossegue, a verdade que se faz presente e a vida que se expressa são os dons da plenitude Divina."

beijooo.

Maria João disse...

Mariazita

Não conhecia este poema e gostei imenso.
Excelente esta tua ideia de editares por ciclos temáticos!

Um beijinho

Luis disse...

Minha Querida Amiga,
Cá estou de visita e muito agradado com a temática deste ciclo. Não é o da Mulher mas anda lá próximo pelo menos por agora...
Um grande e amigo beijinho.

rouxinol de Bernardim disse...

Gostei. este ciclo parece que promete muito. Manuel da fonseca é um consagrado e sempre inesperada a sua intuição. Não conhecia este texto.

Fernando Santos (Chana) disse...

Olá, belo texto de um grande anti-fascista...Espectacular....
Beijos

Barbara disse...

De olhar lírios, o escritor.

DE-PROPOSITO disse...

Tal era o mistério dos seios nascendo debaixo das blusas!
----------
Que pensamentos, pecaminosos!...
---------
Felicidades

Eulalia Moreno disse...

Muito bom reencontrar Manuel da Fonseca aqui neste espaço. Nos meus primeiros anos em Portugal, nos anos pós Revoluçao dos Cravos, descobri esse grande poeta alentejano. Obrigada!!