Árvores do Alentejo
Florbela Espanca
Horas mortas... curvadas aos pés do Monte
A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol pesponta
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
-Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!
Florbela Espanca
Florbela Espanca
Horas mortas... curvadas aos pés do Monte
A planície é um brasido... e, torturadas,
As árvores sangrentas, revoltadas,
Gritam a Deus a bênção duma fonte!
E quando, manhã alta, o sol pesponta
A oiro a giesta, a arder, pelas estradas,
Esfíngicas, recortam desgrenhadas
Os trágicos perfis no horizonte!
Árvores! Corações, almas que choram,
Almas iguais à minha, almas que imploram
Em vão remédio para tanta mágoa!
Árvores! Não choreis! Olhai e vede:
-Também ando a gritar, morta de sede,
Pedindo a Deus a minha gota de água!
Florbela Espanca
Florbela Espanca nasceu no Alentejo, em Vila Viçosa, a 8 de Dezembro de 1894.
Faleceu em Matosinhos em Dezembro de 1930
24 comentários:
Minha querida Amiga
Lindo poema de Florbela Espanca, que eu adoro.
Linda imagem do meu Alentejo...adorei.
Beijinhos
Amiga Mariazita
As minhas felicitações pela postagem deste maravilhoso poema da minha predilecta poetisa, Florbela Espanca.
Só uma pessoa com um refinado gosto literário, poderia postar
este belo poema.
Beijinhos
Alvaro
Continuo a encontrar grande mérito neste desfile de poemas cantando as árvores e a natureza. Talvez porque gosto muito de Florbela Espanca, acho este, particularmente bonito.
Um grande beijinho,
Maria Emília
A minha poetisa favorita a dizer algo sobre a água que eu, como ser da natureza, neste momento grito em relação ao SOL.
Pedindo a Deus a minha quota de sol!
Desculpa Florbela mas é o meu sentimento desesperado.
Beijos Mariazita
Querida Mariazita,
Que pena acabar este ciclo das árvores que ainda há pouco se inciou e que belos poemas trouxe à luz do seu Blogue!
Foi curto mas gostoso! Qual será o próximo ciclo?
Um beijinho muito amigo.
Querida Mariazita,
Sou fã incondicional de Florbela Espanca.
Adoro este poema em particular.
Beijo
Ná
Olá Mariazita!
De Florbela Espanca conheço pouco ,ou somente o essencial para dela falar sem dizer heresias - ou exibir pretensiosismo.
Gosto do do que conheço, e difícil seria não gostar.
A ela todos os motivos serviam de inspiração para expresar o que sentia, e as árvores secas, do Alçentejo teriam muito a ver com o seu sentir: ambas estavam sedentas do que lhes faltava para viver ... ou sobreviver.
Beijinhos.
Vitor.
PS. Respondi no meu blog à sua última visita; se puder, passe por lá!
Maravilhoso e encantador.
Adorei.
Parabéns pelo bom gosto ainda mais com um texto de Florbela Espanca.
Um beijo minha querida.
Este de Florbela foi o MÁXIMOOOOOO! Final com chave de ouro, Mariazita! E esta idéia sua foi fabulosa. Parabéns!!!
Beijos e bom carnaval, amiga! Até!!!
Querida Mariazita,
Sempre gostei dos sonetos de
Florbela Espanca...este é particularmenet lindo!
E como é bem verdade que as árvores se revoltam.. são sempre sacrificadas e tantas vezes engolidas pelo fogo.
já tinha saudades de passar por aqui.
beijinhos
*
deixa-me
carnavalar a Florbela,
,
Passos ao longe... um vulto que se esvai...
Em cada sombra Colombina trai...
Anda o silêncio em volta a q'rer falar...
E o luar que desmaia, macerado,
Lembra, pálido, tonto, esfarrapado,
Um Pierrot, todo branco, a soluçar...
,~conchinhas,
,
*
Mariazita
Postar um poema de Flobela Espanca, é sempre uma boa opção de sensilisade poética. Aprecio a sua poesia de que sou admirador.
Beijos
Daniel
Querida Amiga Mariazita,
Agora que a visitei esperava ver iniciado um novo ciclo e esse seria ligado ao Amor, aos Namoros dado o dia em que estamos ou até podia ser outro o motivo - O Carnaval da Vida - Mas não, nada apareceu!
Estamos mal habituados consigo e depois dá nisto... ficamos tristes!!! Ahahahaha Estou brincando ao Carnaval consigo não me leve a mal!!!
Um beijinho e um bom fds.
Mariazita
Estou aqui a vistar este teu blog e não pude deixar de ler os Ciclo das Árvores e agora esgtou aqui a conhecer as Árvores do Alentejo e que lindo poema de Florbela Espanca.
E falar sem sede , com o Calor aqui no Rio de Janeiro finalizo com o último verso deste Ciclo das Árvores...
"Pedindo a Deus a minha gota de água!"
Já estou a te seguir e estarei sempre voltando e bvendo as novidades.
Beijos
Ela é maravilhosa e esse teu blog também o é! Lindo! beijos,chica
Amiga Mariazita
Fechaste este "Ciclo das Árvores" com chave de ouro.
Todos os poemas e poetas que aqui colocaste são bons mas Florbela para mim tem um encanto e um significado muito especial.
A eterna adoradora do Alentejo, a musa portuguesa que tão bem cantou o Amor nas suas mais diversas formas.
Parabéns, amiga. Adorei.
Beijinhos
Imagem do nosso Alentejo.
O que dizer do poema?
Ainda oiço lá bem no fundo a voz entristecida de Florbela Espanca.
Cumprimentos.
ui ui
qto tempo ehm moça!
suspeito que tenha me abandonado
:(
que pena!!
rsrs
então, vim fazer uma visita, sei que andas ocupada, né...
tenho acompanhado os post.. essa série está maravilhosa!
beijo grande!
fica com Deus^^
Bela imagem...belo poema...Espectacular....
Beijos
Minha querida amiga
O poder de um soneto de Florbela Espanca, seja qual for o tema... ".. tem claridade para encher todo o mundo" tal como ela sonhava.
Um beijinho e parabéns
Árvores amigas - as melhores!
Minha magnólia te envia sopros.
Olá amiga portugesa!
Adorei conhecer essa poetisa portuguesa!E assim vamos ampliando o nosso conhecimento!
Beijos brasileiros, Teresa
Já é proibido espancar a espanca :-)) boa semana
Aguardamos agora outros ciclos. minha amiga,
Um beijinho,
Maria Emília
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